Era uma vez, no grande século das luzes, um humilde e jovem policia, que como todos os da sua laia perseguia duramente um ladrão de reliquias.
Correu pelas ruas da cidade, derrubando bancas do mercado e impurrando pessoas para o chão de gravilha. Estava fortemente e irrevercivelmente preso á perseguição.
Virou numa esquina, de um edificio de outra era, gasto pelos ventos da vida. Deu por si num beco sem saida, sombrio e frio, desprovido de vida.
Contudo não foi frieza do beco, ou até o ladrão, que ele admirou ver. Pousado no vulgar chão estava um báu. E Deus sabe que não era um báu qualquer! Era pequeno e grandioso, requitado e simples, extravagante e humilde.
Debruçou-se sobre ele e esquecendo-se de tudo abriu-o. Sentiu, logo uma sensação estranha a domina-lo. Primeiro infiltrou-se pelo nariz e depois percorreu o corpo, da ponta dos cabelos á ponta dos pés. Só depois percebeu que era um perfume. Uma carta perfumada, mais expecificamente.
"Mirei o espelho da vida
e o arco-iris nele reflectiu.
O longo amarelo sobressaiu,
no rosto duas azuis ondas,
no rosto de marfim."
O policia sentiu-se novo. Novo, sei lá, apaixonado!
Porém lembrou-se subitamente da sua missão, tinha de apanhar o ladrão! Dobrou a carta e guardou-a.
Recomeçou a correr revigorado com a força da paixão. Serpenteou pelas ruas, mirando de suslaio todas as loiras, nunca as achando amulher dos seus sonhos, com o perfume que o possuia.
Correu de pernas largas e esticou os braços amarrando num abraço o ladrão cansado. Sem folgo, retirou a sua mascara, e que surpresa!
Cabelos loiros cairam em caracois belos. Profundos olhos azuis o hipnotizaram. Um cheiro familiar e belo o preencheu.
O amor é cego,
não segue o olhar,
mas sim os sentidos.
E, evidentemente,
o coração.
P.s. este texto têm direitos de autor.
Toa e Mimi :D
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